A violência física contra a mulher, longe de constituir episódio isolado ou desvio ocasional, revela-se como fenômeno historicamente sedimentado, socialmente reproduzido e subjetivamente internalizado. Nesta obra, Romylton Alessandro da Silva Costa examina, com rigor teórico e sensibilidade analítica, as representações sociais da violência física sofrida por mulheres em relações amorosas na cidade de Goiânia, tomando como eixo interpretativo a articulação entre a Teoria das Representações Sociais e o estudo das crenças centrais disfuncionais. O percurso investigativo evidencia que a experiência da violência não se esgota na materialidade da agressão, mas reorganiza percepções, afetos, formas de significação e modos de estar no mundo.
Ao conjugar reflexão histórica, debate conceitual e pesquisa empírica, o autor oferece ao leitor uma leitura densa sobre os mecanismos pelos quais medo, revolta, tristeza, dor e impotência se inscrevem na experiência das vítimas e passam a estruturar sentidos sobre si, sobre o outro e sobre a própria realidade relacional. Trata-se de um estudo que não simplifica o sofrimento feminino nem o reduz a fórmulas explicativas prontas; ao contrário, ilumina a complexidade de trajetórias marcadas por violência, silenciamento e resistência, tornando a obra particularmente relevante para pesquisadores, profissionais da Psicologia, das Ciências Humanas e de áreas comprometidas com a compreensão crítica das dinâmicas de gênero e da violência nas relações íntimas.





