Direito à segurança alimentar e acesso à informação ambiental oferece uma reflexão aprofundada sobre a forma como a contemporaneidade reorganiza a relação entre alimentação, ambiente e modos de produção agrícola. Partindo da constatação de que a globalização tecnológica e econômica ampliou os mecanismos de controle sobre a natureza e reduziu a complexidade ecológica a parâmetros produtivistas, o estudo examina como esse processo repercute na segurança alimentar e na saúde coletiva. O livro evidencia que a produção de hortifrutigranjeiros no Brasil, marcada pelo uso intensivo de agrotóxicos e pela lógica das monoculturas, constitui um dos pontos mais críticos dessa engrenagem, pois transforma o alimento em mercadoria e o consumidor em sujeito exposto a riscos invisibilizados.
A autora articula referências nacionais e internacionais para demonstrar que a segurança alimentar não se restringe ao acesso físico ao alimento, mas envolve a dimensão qualitativa, informacional e ambiental que o sustenta. A partir de uma abordagem sistêmico-complexa, o texto examina o impacto da agrointoxicação, discute a fragilidade das políticas públicas de regulação e evidencia a distância entre o direito fundamental à informação ambiental e a realidade dos consumidores, frequentemente privados de dados essenciais sobre os produtos que chegam às suas mesas.
Com análise detalhada dos relatórios oficiais, da legislação aplicável, de estudos epidemiológicos e do panorama produtivo brasileiro, a obra ilumina as tensões entre o modelo agrícola dominante e a construção de práticas alimentares seguras, transparentes e sustentáveis. Ao fazê-lo, reafirma a centralidade do direito à segurança alimentar como componente indissociável da dignidade humana, ao mesmo tempo em que aponta caminhos possíveis para a superação do paradigma agroquímico e para a promoção de escolhas de consumo mais conscientes.





