“(…) conforme brilhantemente sustenta a autora, o split payment, ora em instituição, pode se converter em um instrumento muito útil ‘no enfrentamento da evasão e da sonegação fiscal e no fortalecimento do dever fundamental de pagar tributos’. Para tanto, necessita estar inserido em um ‘arranjo institucional mais amplo, que envolva adequada regulamentação infra legal, governança administrativa eficiente, infraestrutura tecnológica compatível’. Obviamente, com isso, converter-se-á em um vetor capaz de, obviamente, não eliminar, mas certamente construir uma espécie de ‘dique de contenção’ à injustiça fiscal.
Se isso parece um tanto utópico, há de se ter presente as palavras de Galeano ao afirmar que as utopias nos permitem caminhar, embora jamais possam ser concretizadas, pois à medida que delas nos aproximamos, elas se distanciam mais ainda. Afinal de contas, pode-se dizer que são as utopias que nos definem, mais do que aquilo que falamos ou fizemos.
É nisso que este trabalho está inserido. Há um inequívoco compromisso acadêmico intrínseco ao humanismo, que nos impõe cultivar a utopia da justiça social, a qual não conseguirá minimamente ser alcançada enquanto vivenciarmos essa vexatória injustiça fiscal.”
Marciano Buffon





