Como se sabe, vivemos em um tempo marcado por uma virtualidade profundamente transformadora, decorrente das magníficas inovações tecnológicas das últimas décadas do século XX e dos anos iniciais do Terceiro Milênio, que, até meados do século XX, eram compreendidas apenas nas esferas da ficção, do sonho e da fantasia. Como disse Salvador Giner, sociólogo e jurista espanhol, “a fragmentação e proliferação das diversas noções de tempo que hoje possuímos enfraquecem as categorias temporais básicas, que ordenavam nossa concepção da história assim como do tempo mesmo, seja humano, divino ou cósmico”. Tais conquistas científico-tecnológicas encolheram os horizontes do mundo e, em sua ambivalência, para o bem, integram culturas, divulgam a ciência, aprimoram serviços e aumentam a produtividade. Nessa mesma direção, agilizam os mercados, aperfeiçoam recursos voltados aos diagnósticos médicos, melhoram substancialmente as condições de ensino e aprendizagem, além de realizarem análises de dados com alta resolução, tornando-se, nessa perspectiva, valiosíssimas ferramentas para resolver problemas do cotidiano dos seres humanos. Contudo, para o mal, se prestam para disseminar desinformação (misinformation) em forma de fake news, deepfake e de mensagens compreendendo negacionismo histórico ou científico e, dessa forma, provocar medo, destruir reputações e propagar discursos de ódio. As tecnologias da informação provocaram mudanças tão profundas, – assegura Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial –, “que, na perspectiva da história da humanidade, nunca houve um momento tão potencialmente promissor ou perigoso”.
É sob esse cenário que destacamos a presente obra, considerando o fato de que, nos dias atuais, a inteligência artificial tornou-se instrumento importante e utilizado em quase todas as atividades humanas. Angela Dias Mendes edificou uma coletânea que reúne temas redigidos com clareza e objetividade, e que apresentam incontestável importância para a compreensão da aplicabilidade da inteligência artificial em áreas de alta significação para os interesses, ritmos e afazeres dos seres humanos, hoje transformados em consumidores digitais. Como afirmam os autores, a presente obra é “um convite ao diálogo interdisciplinar e à participação ativa na construção de um futuro em que a IA se torne instrumento de emancipação, inclusão e bem-estar social”.
Antônio Celso Alves Pereira





